BLOG BY KAMY | Quando o Oriente nos convida a conhecê-lo
O Oriente possui saberes, técnicas e formas de produção que
remontam a períodos muito anteriores à consolidação dos modelos artísticos que
hoje valorizamos no Ocidente. São conhecimentos e práticas que influenciaram a
arte e o pensamento, e que se desenvolveram em diferentes tradições asiáticas
ao longo de milhares de anos.
É nesse contexto que instituições como o Musée Guimet, em Paris, se tornam importantes. Dedicado às artes e às culturas asiáticas, o museu reúne mais de 60 mil objetos do passado e do presente, provenientes de diferentes regiões, do Afeganistão ao Japão, passando pela Índia, China, Coreia e Sudeste Asiático. Seu acervo reúne diferentes matérias-primas e linguagens, como cerâmica, porcelana, tecidos, esculturas, pinturas e objetos de arte.
Nossa diretora criativa, Francesca Alzati, visitou o Musée Guimet e pôde testemunhar de perto a riqueza dessas obras. Ela se impressionou especialmente com a forma como muitas delas permanecem atemporais, mesmo tendo sido produzidas há cerca de 900 anos, além da engenhosidade e do domínio técnico já presentes nessas produções. Um exemplo são os grandes vasos de cerâmica, que impressionam tanto por suas dimensões quanto pela precisão e técnica de esmaltação e cor.
Entre eles está um vaso meiping, produzido nos fornos de
Cizhou durante a Dinastia Jin (1115–1234). Originalmente destinado a armazenar
bebidas alcoólicas, esse tipo de vaso passou posteriormente a ser utilizado
para exibir galhos de ameixeira. Os móveis e peças expostos possuem uma riqueza
de detalhe impressionante, a composição de desenhos se compara a complexidade
que encontramos na marchetaria japonesa, o Yosegi zaiku, onde a madeira é
entalhada e encaixada para criar formas únicas.
Quando o tecido também conta uma história
O têxtil se apresenta de uma forma muito importante na exposição do Musée Guimet, pois a tecelagem e a tapeçaria têm uma longa história no continente asiático e conversam intimamente com a by Kamy, já que o olhar da marca sempre esteve voltado para essa riqueza. O DNA do Oriente está presente não apenas em nossos tapetes persas, mas também na história de nosso fundador.
No início dos anos 1960, Parviz Abrarpour imigrou da Pérsia para o Brasil com a esposa e os três filhos, com o propósito de contribuir para a expansão organizada da fé Bahá’í. Foi aqui que abriu sua loja, dedicando-se à seleção e à importação de belos tapetes orientais. Uma história que atravessou gerações e teve continuidade com Kamyar Abrarpour.
Para nós, o feito à mão e as técnicas são formas de preservar tradições que continuam nos ensinando até hoje. Cada região possui um estilo de técnica e design muito particular, um exemplo claro é o pigmento azul das porcelanas chinesas, ou os belos medalhões dos tapetes persas, e a by Kamy procura sempre respeitar essa originalidade. Olhamos para o passado como referência e como escola, encontrando caminhos para novas criações e para o design do futuro.
Quando a natureza se torna um símbolo
Além da técnica sofisticada, essas obras revelam diferentes formas de enxergar o mundo. Em diferentes tradições asiáticas, animais, plantas, montanhas e outros elementos da natureza assumem importante presença nas representações, muitas vezes associados a crenças, espiritualidade e filosofia. Na tradição chinesa, por exemplo, elementos da natureza não aparecem apenas como representação do mundo visível: animais, plantas, montanhas e outros elementos podem carregar significados simbólicos, associados à espiritualidade, à longevidade, à harmonia e à própria compreensão do universo.
Essa relação fica especialmente interessante quando aparece na própria cerâmica. Na China, por exemplo, figuras dos doze animais do zodíaco foram utilizadas em contextos funerários. O próprio Musée Guimet apresenta estatuetas funerárias em terracota da Dinastia Tang, do século VIII, encontradas em uma tumba na região de Xi’an.
A valorização dos animais na arte asiática é algo que é menos visto na arte europeia do mesmo período, mas ganha força nos países mais a leste. O macaco Hanuman das lendas do Ramakien tailandês, Ganesha com sua cabeça de elefante ou as vacas de Krishna na Índia, entre tantos outros, são representações regionais de animais que são compartilhados por diferentes crenças espalhadas pelo continente.
Na by Kamy, também seguimos essa tradição de respeito e valorização de todos os animais.
Abaixo, conheça alguns dos animais sagrados da Ásia e tapetes do nosso acervo que são inspirados por eles:
O tigre
O tigre é uma figura emblemática de vários países; ele é
especialmente reverenciado no Nepal e na Índia. No budismo tibetano, o tigre é
um dos quatro animais protetores e, na Índia, é um dos animais-símbolo da deusa
Durga, a guerreira, que é representada muitas vezes montada no animal. O
Tapete
Tiger
é uma representação desse animal, símbolo de força e poder.
A serpente
Considerada sagrada no Camboja. Segundo a lenda, o país foi criado pela união de uma princesa Naga (serpente) e um príncipe indiano. Ao andar pelo país, é impossível não observar esculturas das chamadas Nagas de sete cabeças. Essa emblemática figura é a protagonista do tapete Fauna Mix do Chão, de Regina Silveira.
O dragão
Falando de animais fantásticos, o dragão é uma das figuras mais importantes de todo o Leste Asiático, sendo o símbolo imperial da China e uma divindade protetora e representante da saúde e da fortuna em países como Japão, Coreia, Nepal e Vietnã. O tapete Dragon Silk, produzido no Nepal, retrata esse personagem milenar através de uma tecitura única e feita com uma preciosa matéria-prima.
A libélula
Apesar de seu tamanho diminuto, é um dos animais sagrados do Japão, tendo destaque em vários pontos do folclore japonês. É considerada um símbolo de coragem e o “inseto da vitória”, por nunca voar para trás, crença essa que fazia com que samurais estampassem a figura desse inseto em capacetes e espadas. A peseira Mouro Libélula Queen cristaliza a beleza deste pequeno animal.
Fontes das imagens: Musée Guimet: https://www.guimet.fr/fr, Banco de Imagens by Kamy, Envato e Acervo pessoal de Francesca Alzati.









