Brasil
Quando falamos em Brasil, o que vem à sua mente: a alegria do Carnaval? As paisagens tropicais da Amazônia? A diversidade cultural que pulsa nas nossas grandes cidades? Tudo isso, sem dúvida, faz parte daquilo que normalmente associamos ao nosso país.
Mas há um outro Brasil, mais discreto, que encanta o mundo de uma forma bem diferente: a tecitura brasileira! Nossas tramas carregam tradição, beleza e sustentabilidade, principalmente por meio dos teares artesanais e os tapetes feitos de sisal. Juntos, eles formam a base de uma tradição que atravessa gerações!
Fica ainda melhor quando somamos isso a técnicas que vem se consolidando nos últimos anos, como o reaproveitamento de fragmentos (upcycling), o qual a by Kamy foi uma das pioneiras em tapetes aqui no Brasil ao desenvolver de tapetes a partir de uma lógica de design 360°.
Neste artigo do Blog da by Kamy, vamos nos aprofundar em cada um desses expoentes da tecitura brasileira, destacando aspectos da história, da técnica e o que fazem eles serem tão especiais aos olhos do mundo. Confira:
O tear brasileiro
No Brasil, o tear horizontal é o mais difundido. Diferente do modelo vertical, mais comum no Oriente, ele permite produzir desde pequenos tecidos até tapetes de cinco ou seis metros de largura, ou seja, há um certo limite neste tipo de produção.
O processo é todinho manual: fio por fio, o artesão vai entrelaçando a trama, em um vai e vem paciente e preciso. Pedais e varetas ajudam a criar desenhos únicos, alternando cores, espessuras e tranças que resultam em composições ricas, geralmente de listras ou com destaque para as texturas.
À medida que tapete vai sendo tecido, ele é enrolado em um tambor, mantendo o artesão sempre no mesmo ponto de criação. É como se cada peça carregasse o tempo, o cuidado e a dedicação de quem a produziu.
Os teares brasileiros podem ser feitos a partir de diversas matérias-primas, sendo os mais comuns os modelos feitos em fibras vegetais, como fibra de coco, bambu, bananeira, sisal, seagrass, mountaingrass e taboa, por exemplo.
Já que falamos em fibras, uma delas merece um destaque à parte...
Sisal
Originário de regiões semiáridas, o sisal é uma planta que encontrou no Nordeste brasileiro um lar para chamar de seu. Estados como Bahia e Paraíba são grandes produtores dessa fibra que, além de sua beleza natural, é reconhecida pela resistência e pelo baixo impacto
ambiental. A partir das folhas são extraídas fibras que chegam a 120 cm. Após o processo de beneficiamento, essas fibras se transformam em fios e cordas que, nas mãos de artesãos, dão vida a tapetes duráveis, biodegradáveis e repletos de identidade brasileira.
Mais do que um material, o sisal é símbolo de resiliência. Ele representa o aproveitamento inteligente de recursos naturais e a força criativa de comunidades artesãs que mantêm viva a tradição da tecelagem no Brasil.
O aproveitamento inteligente de recursos naturais, cada vez mais, não é uma opção, e sim um propósito que deve estar embutido em tudo que pensamos, fazemos, produzimos e consumimos. Não se muda tudo para uma lógica circular do dia pra noite, mas certamente não podemos continuar com a mesma lógica linear que perdura desde a Revolução Industrial. Quer um bom exemplo que tem tudo a ver com o Brasil?
Upcycling
Segundo uma pesquisa da Fundação Ellen MacArthur, repercutida em reportagem da Folha de S. Paulo, 80% dos resíduos têxteis no mundo não têm outro destino a não ser o descarte ou a incineração. Pior: uma parcela considerável se acumula em lixões e em áreas de mata, nascentes etc.
A cada ano, são geradas 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis (4 milhões somente no Brasil). Ainda segundo o relatório, menos de 1% de toda essa geração é utilizada como matéria-prima para criar novos produtos, em um processo chamado upcycling. Mas o que é isso?
Em uma tradução aproximada para o português, upcycling é o termo inglês para “reciclagem criativa”, que simboliza a reutilização de materiais antes vistos como lixo em novos produtos. O diferencial desta técnica não é apenas o reaproveitamento do material em si, mas principalmente a capacidade de inovar e gerar de valor a partir deste processo.
É exatamente a percepção que tivemos em 2018 ao criar o ateliê by Kamy Verde, onde artesãos transformam em tapetes autorais os resíduos e fragmentos da produção, como os recortes de peças novas e ou de modelos já muito utilizados no serviço de aluguel.
Um trabalho que começou modesto, mas que cresce junto a outras tradições têxteis à medida que conseguimos mostrar ao mundo como a tecitura brasileira está na vanguarda do mundo quando o assunto é sustentabilidade!
Para ilustrar com exemplos que transbordam símbolos desse Brasil maravilhoso, resgatamos duas coleções criadas pelo artista Kiko Maldonado, que por muito anos acompanhou de perto a produção da by Kamy Verde.
Na tapeçaria Bonito por Natureza, Kiko reverencia o país que ele tanto admira e ajuda a preservar. Na sua criação, cada fragmento de tapete foi pensado em qual lugar aplicar no contorno do mapa do Brasil, a fim de criar uma sinergia com a cada região do país.
A by Kamy acredita que cada tapete é um encontro entre tradição e design. É essa combinação que faz do Brasil uma peça cada vez mais relevante no cenário mundial da tecitura, mas que precisa de muito cuidado e carinho!
Valorizar a tecitura brasileira é manter viva uma tradição secular, que passou de geração e geração, mas que precisa de demanda para se manter competitiva frente a atualidade que parece esquecer que elas existem. No @bykamy, você confere dicas, inspirações e modelos do nosso portfólio que mostram que a tecitura brasileira é uma excelente opção para a sua casa!






