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Dicas de viagem por Santuza Bicalho*

29 de julho de 2010

Desde cedo me apaixonei pelo intercâmbio, por isso atuei muito pouco em Direito, após me formar pela UFMG. Estar próxima de jovens, ajudá-los a escolher e montar seus mosaicos de experiências internacionais e educacionais, bem como abrir as portas do mundo para esta moçada sempre foi o que me colocou brilho no olho! Vejo como é importante para que o jovem tenha uma orientação adequada sobre suas possibilidades.

No passado, era simples escolher a profissão: médico, advogado, engenheiro, arquiteto e contador, ponto final. Hoje, é diferente. Além de vivermos num mundo absolutamente interconectado, os jovens de agora entendem mais cedo a importância de adquirirem uma bagagem variada de experiências de vida, que vão desde a educação aqui no Brasil até a complementação contínua de seu desenvolvimento profissional e emocional.

O intercâmbio começou no pós II guerra mundial com bastante apoio dos países aliados. Naquela época havia necessidade dos povos se entenderem uns aos outros. Hoje, vejo os jovens querendo entender seu papel no mundo, e nada melhor do que viver um tempo longe de casa, inserido numa cultura diferente e convivendo com pessoas de vários países do mundo. Hoje conta menos falar o inglês impecável dos britânicos, mas entender como se comunicar com os japoneses, suecos, americanos, espanhóis, italianos, iranianos e por aí vai!

Para quem trabalha com intercâmbio, viajar é uma necessidade. Entender os outros é essencial! Muitos amigos me procuram quando querem mandar os filhos para fora e todos se espantam quando eu não quero falar com os pais, mas sim com os filhos. E a gente vai apurando tanto o olhar e o ouvido que bate o olho e sente o que vale à pena para cada um. Acho que este é o grande diferencial que criamos no STB. Sabemos qual a escola certa para cada pessoa, qual o tempo certo de cada pessoa. Somos muito orientados para o aproveitamento e para o crescimento do ser humano e nossa missão é contribuir com crescimento e desenvolvimento dos jovens que nos procuram.

Viajo quase todos os meses e o processo arrumar malas + ir para o aeroporto + fazer check in + esperar o vôo + voar + desembarcar + pegar malas + pegar taxi + fazer check in no hotel + desarrumar mala já me deixa preguiçosa... Para quem faz isto com freqüência é difícil ter aquele frio na barriga que a viagem oferece. Fica normal, fica comum. Mas, alguns lugares são tão maravilhosos que é impossível não ter este frio na barriga! Lugares incomuns ou muito comuns que são sensacionais. Ai vai a minha breve lista de TOP destinations:

Brasil. Maria Farinha, PE, casa da Fatinha, minha amiga. A única mala em que não coloco nem um par de sapatos. Só mesmo minhas flip-flops, bikini e canga. Este pequeno povoado em Pernambuco não tem nem hotel direito. Só mesmo casa dos amigos - e amigos mesmo, pois são poucos, muito poucos. As frutas têm um gosto muito mais doce e adoro "catar" meu próprio almoço, sentada num banco de areia em alto mar, com um balde ao lado onde coloco mariscos e uma taça de vinho branco do outro + castanhas colhidas no pomar. Em alto mar, com água a 38 graus Celsius batendo na cintura, o nosso ponto predileto é "Menas Beach", um banco de areia que dependendo da lua está com água a 2 metros ou então vira uma praia paradisíaca. Ruim mesmo é só o domingo à noite quando a gente tem que ir embora trabalhar.

Europa. Copenhagen, Dinamarca. Conheci Copenhagen por motivos profissionais. Durante quatro anos fui diretora de uma conferência cuja sede fica lá. Lembro-me que nas primeiras vezes que fui, eu acordava às 7 da manhã e me perguntava se tinha dormido até as 7 da noite, de tão escuro que é a Dinamarca no inverno.

Além de dois grandes bons amigos, tenho por Copenhagen uma verdadeira paixão. Eu sempre ficava no Marriot Copenhagen. É um hotel prático para quem vai a negócios, mas definitivamente não é nada charmoso. Charmoso mesmo é o Hotel d'Angleterre, com um ar de Copacabana Palace e uma localização fantástica!

Em matéria de restaurantes, Copenhagem é fantástica! O Noma, hoje considerado o melhor restaurante do mundo, está lá - faça sua reserva com 3 meses de antecedência. O que gosto muito é comer sanduíches de Copenhagen - na padaria mesmo. A base do sanduíche é o pão preto (duro) e você escolhe o recheio. Eles não fecham o sanduíche com outra fatia de pão, servem apenas com uma como se fosse um canapé gigante! Adoro o Victor's, um restaurante tradicional no centro da cidade antiga, super charmoso. Gostoso para almoço ou early dinner.

É bacana ver como os dinamarqueses são inovadores em design. E na moda também. Passear pela Bredgade é uma delícia! Há uma infinidade de lojas de pequenos fashions e bijoux designers.

E para quem é mais radical, recomendo uma ida à Christiania, um "bairro" de Copenhagen que se auto-proclamou independente não apenas da prefeitura da cidade, mas do governo da Dinamarca e da União Européia. Acreditem - todos concordaram! Lá existem 850 moradores, as ruas não são pavimentadas - nem passa carro - e a maconha é liberada. Estive lá um dia com a Susan, minha amiga americana que mora a 45 anos na Dinamarca. Confesso que tive medo no início, mas depois percebi que aquela atmosfera meio misteriosa é parte do entretenimento. Vale à pena conhecer!

*Desde 2006, Santuza Bicalho é Vice Presidente do Student Travel Bureau e trabalha com intercâmbio e educação internacional desde 1995.

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